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quarta-feira, junho 28, 2006

Vamos todos cantar de coração!

Ok, todos estamos torcendo para a Copa, mas o hino do título (que por sinal é do vasco) é para comemorar a criação do primeiro curso federal de graduação em Terapia Ocupacional do RJ. Trabalho conjunto!
E as duas vagas para professor assistente foram para: Angela Guimaraes e Márcia Cabral!
Êeeeeeeee!
A Terapia Ocupacional esté entre as dez profissões mais procuradas mundialmente e terá um maior reconhecimento e valorização profissional até o ano de 2014.
Enquanto isso vamos trabalhando no novo curso com muita garra para começar bonito, aliás como já vem sendo!
Beijos for all
Angel

terça-feira, junho 27, 2006

Bengala



Da Revista Veja desta semana: Corpo e mente
"O poder da sugestão mental sobre a saúde foi objeto de uma frase famosa do escritor francês Stendhal, autor do clássico O Vermelho e o Negro. Ele afirmou que "nomear uma doença é apressar-lhe o progresso". O contrário – nomear uma cura para que a saúde se restabeleça – é uma hipótese que pertence tão-somente ao terreno da religião. O que os cientistas acreditam é que, num futuro não tão distante, será possível auscultar o cérebro para evitar que doenças atravessem a alma e desintegrem o corpo."
Todos precisamos nos re-educar, tanto aqueles que nomeiam, quanto aqueles que acreditam no que é nomeado.
Bjs, Angel
imagem: http://www.neuroesthetics.org/art/index.html

quinta-feira, junho 22, 2006

Lauburu






Postando pós jogo do Ronaldo.

Esta noite tive um sonho bem nítido.
Sonhei que um helicóptero caía literalmente sobre a minha cabeça. Eu estava olhando pela janela de um apê e vi quando a asa riscou o céu. Subitamente, o helicóptero estava preso entre a minha janela e a do prédio da frente. Fiquei cara-a -cara com o piloto e então percebi que estava a meu alcance ajudá-lo. Estirei meu braço e ele segurou, senti quando uma energia percorreu meu braço em direção ao dele e retornou para mim. Parecia que ambos éramos fortes e, na verdade, não tirei ele de dentro da máquina. Mas estive com ele naquela situação representada pelo aperto do braço. Olhei fixamente em seu rosto e me pareceu forte e determinado. Então acordei enquanto o "socorria".
Agora a véspera do sonho:
Uma amiga nefrologista me procurou encaminhando uma pessoa de Petrópolis, um renal, que está super mal e ela assumiu o tratamento dele nos próximos 3 meses em que ficará no RJ.
Qd ele entrou na clínica que trabalho, fui tomada de alegria e de susto. Era um colega que eu não via desde 90.
Ele mal conseguia andar. Todo anquilosado, síndrome túnel carpo, perda de massa muscular e toda aquela bioquímica alterada tb pela doença e por um tratamento mal feito. Ele tem uma história de três txs, etc, etc.
Consegui que iniciasse conosco na hidroterapia na clínica (custo bem baixo, etc).
Sinto agora, depois do sonho, que não preciso necessariamente "ajudá-lo", mas sim estar ao seu lado. As informações mais objetivas, o tratamento reabilitador, conservador e tal são importantes, mas igualmente importante, seria tocar seu braço e sentir que há energia e forças suficientes nele mesmo. Ele sempre batalhou muito na sua condição, pois conheço sua históri. Se, de alguma forma, retornou ao meu caminho foi para trocarmos nossas experiências.
Possibilidades, só consigo pensar desta forma. Sempre foi assim, talvez seja uma marca. Não tem nada a ver com exemplo, é inerente a mim, preciso aprender mais sobre isso. Como é possível estar com os outros e perceber o caminho de cada um, estando junto, de uma forma empática, trocando "forças".
Enfim, a questão é que o colega não saiu da minha cabeça naquele dia e, a noite, meu inconsciente deu um jeito de me ajudar com as dicas necessárias. Tenho prestado muita atenção ao conteúdo dos meus sonhos, ajuda muito.

Do livro “Em que crêem os que não crêem?”. Umberto Eco em carta dirigida à Martini:

....”Todavia, creio poder dizer em que fundamentos se baseia, hoje, minha “religiosidade laica”-porque acredito firmemente que existem formas de religiosidade, e logo sentido do sagrado, do limite, da interrogação e da espera, da comunhão com algo que nos supera, mesmo na ausência da fé em uma divindade pessoal e providente...”

O sentido do sagrado esteve presente em todas as culturas. Espiritualidade em movimento.

Vamos continuar torcendo

Angel

domingo, junho 11, 2006

O poder dos limites



"Bricolage implica aquilo que os matemáticos chamam de -elegância-, ou seja, aquela economia de linguagem que permite que uma única linha de pensamento tenha inúmeras implicações e consequências."
Nachamanovitch

"A dimensão da música está em produzir grandes resultados com meios escassos"
Beethoven

O projeto vai bem, só preciso de mais síntese e elegância.

Angel
imagem: www.morguefile.com

domingo, maio 21, 2006

Caminhando


Caminhar é o que importa, lembra-nos a mestra Chang.
O presente, momento preciso e precioso.
Qual é a cor de nossos sonhos?
Realizar nossos sonhos e desengavetá-los é outro passo importante. Não se esquecer disso. Aliás, lembrar-se diariamente
Estarei "fora" por uns dias trabalhando num projeto importante, no qual, digamos, precisarei de dedicação exclusiva
Bjs, Angel

Teatro da vida



"Toda nossa cognição principia nos sentimentos" Trivulsiano, 45a Bibloteca do Palácio, Milão

Ainda estamos engatinhando sobre a compreensão dos princípios da integralidade, processo saúde-doença e humanização no sistema de atendimento hospitalar e ambulatorial.

Sexta-feira fui convidada a proferir uma palestra na UniverCidade num evento de fisioterapia. Lá chegando encontrei no auditório do teatro (gelado) sentado em sua cadeira de rodas, no centro do palco, um colega tetraplégico. Compondo o cenário, uma professora de fisioterapia (outra colega) e, ao fundo, as projeções referentes à aula de traumatismo raqui-medular. Ao dar exemplos a palestrante apontava para o rapaz na CR, seu paciente, inclusive. Eu ali, pega de surpresa aguardando para saber onde ele entrava naquela história. Ao final, ele foi convidado a falar sobre a influência da fisioterapia no seu tratamento. Ele toca a falar dos beneficíos da fisioterapia e todos percebem suas grandes limitações, coragem e sua luta. Inclusive para respirar, visto que sua lesão medular é de nível muito alto e, portanto, ele precisa de respirador para auxiliar em sua oxigenação. Muito crítica e muito louvável sua participação.

Em seguida o coordenador da mesa ataca com a sutileza de uma avalanche sobre um passarinho:- Você, fulano, é o sonho de todo fisioterapeuta! Um livro aberto de consulta e aprendizado (descreve tudo que se pode aprender com as doenças de fulano) e, ao final, arremata que a fisioterapia tem uma grande interesse nos aspectos da humanização do tratamento do doente em geral. Nesta altura eu já não conseguia olhar para o palco, nem para os lados. Minha respiração chegou a falhar, pensei que havíamos voltado à epoca de Descartes e tinha à minha frente uma mesa de dissecção e um cadáver exposto. Corpo, anatomia e doença em exposição. Voltei o olhar e tentei encontrar os olhos do colega na CR e estavam no vazio. Talvez avaliando se precisava realmente ouvir aquilo, se expor daquela forma, tanto sacrifício, tanto frio, muito frio. Ambiente gélido de sensibilidade e compreensão da pessoa que sofre uma doença. De estar doente, local no qual se encontrava sozinho naquele momento. Local, onde ninguém ali, gostaria de estar, mas adoraria estudar.

Ficou evidente tb o que já venho percebendo há muito tempo. A Fisioterapia, que vem crescendo assustadoramente, em sua luta pelo mercado de trabalho comprou o discurso da medicina ocidental sedimentada no modelo biomédico, da terapia baseada em evidências, no máximo da cientificidade. Nada contra até o momento que o pesquisador adoece e se vê frente à frente com números, estatísticas e consultas de doze minutos nas quais pouco se entende de gente. Devemos pesquisar, publicar, contribuir para o desenvolvimento de técnicas e procedimentos, e, na docência, formar profissionais da saúde com uma visão mais integral e abrangente. Mas, se nem mesmo os profissionais da "academia" refletem sobre o adoecer e as bases do sofrimento como ousam estudar a clínica sem esse suporte?

Era minha vez, precisa proferir a palestra. Antes, fui até o meu colega, parabenizei-o, toquei nele. Não sei se compreendeu que não estava aprovando todo aquele espetáculo, mas sim apoiando seus ideais, pois em dado momento ele havia dito sobre seu desejo de ajudar outras pessoas que se encontram deprimidas e desesperançadas frente à doença. Eu também já fiz isso, dei meus depoimentos acalorados em prol da causa em eventos diversos. Mas, na sexta-feira, naquele teatro, transcendi um pouco no cenário da vida e percebi que muitas boas intenções são frequentemente manipuladas em prol de causas institucionais que nada tem de humanizadoras e libertadoras.

....

Tentei dar meu recado: arte, sensibilidade e tecnologia aliadas à um tratamento no qual, saúde, motivação e integralidade, devem ser as bases da compreensão do humano

Sei que grande parte de minhas críticas são fruto de minha história mas, se tudo isso tem algum valor, que seja para ajudar a transformar o sofrimento daqueles envolvidos no adoecer em algo bonito de se ver.

Angel

domingo, maio 14, 2006

Barcelona

"Eu não faço diferença entre pintura e poesia. Acontece-me de ilustrar minhas telas com frase poética e vice-versa. Os chineses, esses senhores do espírito, não procediam assim?"

Joan Miró